Vorcaro diz que grupo de Jaques Wagner e Rui Costa recebia R$ 3 milhões por mês, revela UOL

Polícia

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou em proposta de colaboração premiada que o grupo político do senador Jaques Wagner (PT) e do ex-governador Rui Costa (PT) na Bahia recebia cerca de R$ 3 milhões por mês em vantagens indevidas. A informação foi revelada nesta sexta-feira (25) pelo UOL.

Segundo o UOL, Vorcaro relatou duas modalidades principais de supostos pagamentos. Aproximadamente R$ 2 milhões mensais teriam sido repassados por meio da relação contratual entre o Banco Master e a PKL One, empresa que explorava o Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos da Bahia. Outros R$ 1 milhão por mês, segundo o relato do ex-banqueiro, teriam sido pagos em espécie.

Vorcaro também mencionou outras supostas formas de repasse, como distribuição de lucros e dividendos e contratos que classificou como fictícios. De acordo com a reportagem, ele afirmou que Wagner teria participação oculta na operação do Credcesta por intermédio da PKL One.

O relato envolve diretamente a operação do Credcesta. A Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal responsável pela Cesta do Povo e que detinha a operação do cartão, foi vendida em leilão. A Polícia Federal apura suspeitas relacionadas ao processo de privatização e à aquisição da empresa. Na época do certame, Jaques Wagner ocupava cargo de secretário no governo de Rui Costa.

De acordo com a proposta de colaboração obtida pelo UOL, Vorcaro afirmou que o acordo remontaria a 2018, quando o Master adquiriu participação na empresa responsável pela gestão do Credcesta.

Ainda segundo o documento relatado pelo UOL, Vorcaro atribuiu a Augusto Lima uma articulação com políticos baianos para supostamente direcionar o processo de privatização da Ebal e preservar a exploração do Credcesta. O ex-banqueiro apontou ainda Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, como uma pessoa ligada a Wagner que teria influência na operação.

Conforme o UOL, o documento previa pagamentos à PKL One ou a prestadores indicados pelos controladores da empresa. Sobre a suposta parcela de R$ 1 milhão em espécie, a proposta afirma que os pagamentos teriam ocorrido até a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025.