Após anos de convulsões sem controle, adolescente baiano é operado no Roberto Santos e não tem mais crises

Saúde

Por mais de uma década, Pedro Henrique Almeida de Jesus Andrade conviveu com crises convulsivas que resistiam a todos os tratamentos medicamentosos. Aos dois anos, a epilepsia chegou. Aos 15, foi embora. Uma cirurgia de quatro horas no Hospital Geral do Roberto Santos, em Salvador, realizada em janeiro de 2026 pelo neurocirurgião Leonardo Avellar, mudou a história do adolescente e da família que passou anos tentando encontrar uma resposta.

A primeira convulsão aconteceu quando Pedro Henrique tinha dois anos. A família iniciou acompanhamento com a neuropediatra Viviane Borges, no Hospital Santa Isabel, e o tratamento medicamentoso foi o caminho adotado. Durante anos, a medicação controlava as crises por um tempo – até que elas voltavam, sempre mais intensas.

Em julho de 2025, diante do agravamento do quadro, Viviane encaminhou Pedro para o CRE – Centro de Referência em Epilepsia Refratária, do Hospital Roberto Santos, onde também atende. Ajustes nas doses foram tentados, mas o padrão se repetia: controle temporário, recaída mais severa.

Em setembro de 2025, a neuropediatra solicitou dois exames específicos: uma ressonância magnética de três Tesla e um PET scan, ambos do crânio. Os resultados, entregues na primeira semana de novembro, trouxeram o diagnóstico que mudaria o rumo do tratamento: displasia cortical focal – uma malformação no desenvolvimento do córtex cerebral, causa conhecida de epilepsia refratária. Viviane levou o caso a uma reunião multidisciplinar. A conclusão foi unânime: Pedro era candidato à cirurgia.

A família foi então apresentada a Leonardo Avellar, coordenador do serviço e da residência de neurocirurgia do Hospital Roberto Santos. Na consulta de 25 de novembro de 2025, o diagnóstico foi confirmado e a cirurgia agendada para 6 de janeiro de 2026. Pedro internou no dia 2. Uma intercorrência adiou o procedimento para o dia 8 – e nas horas que antecederam a cirurgia, ainda internado, ele convulsionou mais de vinte vezes.

A cirurgia durou aproximadamente quatro horas. “É sempre uma felicidade enorme quando um caso assim evolui tão bem – e isso se multiplica quando estamos falando de uma criança, de um jovem de 15 anos com a vida inteira pela frente”, disse Leonardo Avellar. “A recuperação de Pedro foi notável. É exatamente para isso que a gente trabalha.” O neurocirurgião destacou, ainda, o impacto que casos como esse têm para além do paciente: “Isso repercute na qualidade da assistência que o Roberto Santos oferece – que é o maior hospital do Norte e Nordeste do país – e repercute diretamente no ensino. Os nossos residentes vivenciaram cada etapa desse caso. Isso forma médico. É muito satisfatório.”

Pedro seguiu para a UTI após a cirurgia, onde permaneceu 48 horas por protocolo. Recebeu alta hospitalar no dia seguinte à saída da unidade intensiva. Desde então, não teve mais nenhuma crise convulsiva. Já iniciou o desmame de uma das medicações e teve a dose de outras duas reduzidas.

Para Manuella Jamille Almeida de Jesus Andrade, mãe de Pedro, a gratidão é difícil de traduzir em palavras. “Graças a Deus, em primeiro lugar, e depois ao anjo que Deus colocou, que é o doutor Leonardo Avellar e a sua equipe. Pedro nunca mais convulsionou. Pedro não teve mais crises convulsivas. Pedro está bem, tranquilo, sem convulsões.”

A família autoriza a divulgação do nome e da história de Pedro Henrique. O neurocirurgião Leonardo Avellar está disponível para entrevistas sobre o caso e sobre o serviço de neurocirurgia do Hospital Roberto Santos.

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