Um feminicídio a cada quatro dias: UPA de Simões Filho leva o combate à violência para dentro da sala de espera

Bahia

Na Bahia, uma mulher é vítima de feminicídio a cada quatro dias. O dado é da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-BA), em parceria com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI), e reforça uma realidade que atravessa também o cotidiano das unidades de saúde: 90% desses crimes são cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas. É diante desse cenário que a UPA de Simões Filho, gerida pelo ISEG, decidiu ocupar seu espaço de atendimento com uma pauta que não pode mais esperar.

A equipe da Guarda Municipal que atua na unidade, em parceria com o Serviço Social, esteve na sala de espera para conversar com pacientes e acompanhantes sobre respeito e prevenção à violência contra a mulher. A abordagem foi direta, sem meias palavras: quem convive com um caso de violência doméstica tem o dever de agir. O silêncio, nesse contexto, também é uma forma de violência.

A ação ganhou ainda uma camada interna. O Serviço Social reuniu os colaboradores homens da unidade para um momento de reflexão sobre o que significa, na prática, respeitar uma mulher. Cada participante recebeu um material de compromisso, reforçando que a mudança de cultura começa dentro de casa – e também dentro do ambiente de trabalho.

Para Valdinea Bispo dos Santos, coordenadora do Serviço Social da unidade, a iniciativa nasce de uma convicção simples. “A UPA não pode ser só um lugar de tratar o corpo. Ela também precisa ser um lugar que escuta e que educa. Quando a gente para um homem na sala de espera e conversa sobre respeito, a gente está prevenindo uma violência que talvez nunca chegasse até nós de outra forma”, afirma.

Ela reforça que o trabalho não termina na campanha: “Agosto Lilás é a porta de entrada, mas o compromisso do Serviço Social com essa causa é o ano inteiro. Toda mulher que passa por aqui precisa saber que existe uma rede pronta para acolher ela.”

Com a iniciativa, a UPA de Simões Filho reafirma seu compromisso com uma saúde pública que vai além do atendimento clínico. Sob gestão do ISEG, a unidade segue tratando pautas sociais urgentes como parte de sua responsabilidade com a comunidade.

Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas pelo Disque 180.