O ‘Setembro Amarelo’, campanha de conscientização voltada à prevenção da vida, abre os olhos para vários assuntos de suma importância sobre a saúde mental no Brasil. Dentre eles, está a necessidade de entender o papel da mídia na divulgação de temas que podem causar sensibilidade em doenças como ansiedade e depressão.
Em prol da causa, o BNews entrevistou Terena Cardoso, psicóloga especialista em Neurociência e Comportamento (CRP 03/33640), que explicou como a mídia pode influenciar diretamente em comportamentos socioemocionais nas mais diversas pessoas.
A mídia tem um papel importantíssimo em como as pessoas percebem diversos temas, incluindo a saúde mental. Acredito que a mídia deve se responsabilizar ao passar essas informações, evitando estigmas e símbolos que podem gerar muito mais julgamentos do que ajuda. Acho que a mídia deve estar a serviço da população”, iniciou.
Questionada se acha que a mídia peca em não divulgar algo específico a saúde mental, a especialista responde: “falta noticiar os reais motivos, de fato, de casos graves das doenças. Em consultório, é muito visível que essa falta de acesso leva o sujeito para o transtorno. O transtorno depressivo ou transtorno bipolar, muitas vezes do que a genética em si porque esses transtornos são multifatoriais. Precisa examinar a vida desse sujeito. Ele teve amor? Cuidado?”.
Segundo Terena, a mídia precisa mudar certos comportamentos para ser mais responsável sobre o tema. “Me incomoda os estigmas. Quando se volta muito mais para o gênero, para a idade, para aquilo que é do senso comum, ao invés de tratar todos como pessoas. Qualquer pessoa, de qualquer idade, inclusive crianças, está suscetível, se houver essa falta de acessos, a chegar no limite (da saúde mental)”.
A psicóloga ainda conta que há pacientes em que ela recomenda não acessar certos conteúdos midiáticos, incluindo redes sociais. “Existem os pacientes que têm transtorno de ansiedade, transtorno de ansiedade generalizada, ansiedade social. Eu recomendo o não consumo da mídia, porque a pessoa ansiosa tem uma criação de imagens mal elaboradas e antecipadas na cabeça dela de tal forma que impede ela de fazer coisas muito básicas”.
Confira alguns canais de ajuda gratuitos:
Sites do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Ministério da Saúde e da campanha Setembro Amarelo oferecem cartilhas com informações valiosas para quem quer ajudar e não sabe como.
Ao ligar para o número 188, é possível ser atendido por um voluntário, com respeito, anonimato, que guardará estrito sigilo sobre tudo que for dito. Os voluntários treinados para conversar com todas as pessoas que procuram ajuda e apoio emocional.
Se suspeitar de alguma emergência, ligue para o SAMU (192), ou leve a pessoa para um serviço de emergência (em pronto-socorros, hospitais ou numa UPA 24H). Para indicação de locais para atendimento gratuito em psiquiatria, consulte o site da campanha: www.setembroamarelo.com.
