Os protestos que bloquearam a Estrada do Coco nos últimos dias, em dois trechos distintos da BA-099, levantaram dúvidas sobre uma possível motivação política por trás das mobilizações. Embora apresentados como reivindicações comunitárias, as manifestações foram articuladas por figuras e assessores ligados ao grupo político do ex-prefeito Elinaldo.
Em Vila de Abrantes, o ato foi conduzido por uma ex-candidata a vereadora pelo PL, que disputou as eleições de 2024 pelo grupo de Elinaldo e é acusada de envolvimento na venda de lotes ilegais. O bloqueio total da via afetou motoristas, trabalhadores e moradores que dependem da rodovia diariamente. A ausência de protestos semelhantes durante a gestão anterior — período em que problemas na região eram amplamente conhecidos — reforça questionamentos sobre o momento escolhido para a mobilização.
O cenário atual da localidade também contrasta com o discurso dos manifestantes. Nos últimos meses, Abrantes recebeu investimentos expressivos, como o shopping viabilizado pelo poder público, o anúncio do novo Centro de Treinamento do Bahia, a chegada de R$ 300 milhões em investimentos privados e o Conexão Saúde, maior ação integrada de atendimento já realizada na região.
Em Barra do Pojuca, o padrão se repetiu. Os bloqueios foram organizados por pessoas próximas aos vereadores Jamessom (PL) e Manoel Jacaré (PP), ambos ligados ao mesmo grupo político. Apesar de demandas semelhantes existirem no passado, essas figuras não lideraram qualquer mobilização anterior. Agora, defendem a criação de uma UPA, mesmo com o processo de ampliação da rede de urgência e emergência já em andamento, incluindo a licitação para construção de uma nova unidade em Monte Gordo, a menos de dez quilômetros dali.
