Brasil registra maior número de filhos sem registro de paternidade da história

Justiça

“Pude perceber, através de amigos, que não tinha família com pai e mãe”. Esse foi o sentimento vivido por Douglas Lopes, 26 anos, e por outros quase 1,5 milhão de brasileiros que cresceram sem a presença do genitor e sem o reconhecimento legal do pai na certidão de nascimento. Na edição deste domingo (10), quando é celebrado o Dia dos Pais, a BNews Premium analisou os dados do Portal da Transparência do Registro Civil e revelou o maior número de ausências paternas já registrado na história do Brasil.

“Foi na adolescência que percebi a ausência do meu pai, você está ali crescendo, você está aprendendo, descobrindo quem é você e descobrindo as coisas. E aí eu pude perceber por pessoas próximas de mim, tipo: amigos, colegas, etc, que tinham aquela família constituída e que eu não tinha aquilo. Eu não tinha aquilo de pai e mãe.  Então nesse momento que percebi que, de fato, que ele [o pai] era qualquer um. Que não ia me ajudar em nada, não ia agregar em nada. E nisso eu fui trabalhando isso sozinho”, recorda o analista de sistemas. 

A história do jovem se mistura com muitos brasileiros. Conforme dados do Registro Civil analisados pela BNews Premium, entre janeiro de 2016 e agosto de 2025, o Brasil registrou 1.414.847 casos de ausência paterna. Isso significa que mais de 5% das crianças nascidas nesse período não têm o nome do pai na certidão de nascimento. 

Entre os anos analisados, 2023 se destacou, com aproximadamente 169 mil (169.204) crianças registradas sem o reconhecimento paterno, o maior número dos últimos 10 anos. Em 2025, o quantitativo segue elevado no que diz respeito à ausência de reconhecimento legal. Até o momento, mais de 64 mil crianças foram registradas sem o nome do pai.

Entre as regiões brasileiras em destaque, o Nordeste ocupa o segundo lugar no ranking nacional. No período analisado, 7 milhões (7.149.888) de crianças nasceram na região, delas mais de 425 mil (425.233), o equivalente a aproximadamente 6% do total, foram registradas sem o nome do pai na certidão de nascimento.

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