Central das Creches do Brasil lança carta aberta nesta terça (8) e convoca candidatos a firmarem compromisso com a Educação Infantil

Educação

Documento cobra dos candidatos à Presidência da República, ao Governo da Bahia e a cargos legislativos propostas concretas para enfrentar o déficit de mais de 2 milhões de vagas em creches públicas no país

A Central das Creches do Brasil lança, nesta terça-feira (8), uma carta aberta direcionada aos candidatos nas Eleições 2026, convocando-os a assumirem um compromisso público com a Educação Infantil e com a redução do déficit de vagas em creches públicas no país. O documento chama atenção para uma realidade que atinge milhões de famílias brasileiras e defende que as propostas apresentadas durante a campanha eleitoral sejam acompanhadas de metas, orçamento, prazos e mecanismos de execução.
Intitulada “Carta Aberta da Central das Creches do Brasil”, a iniciativa é dirigida aos candidatos à Presidência da República, ao Governo da Bahia e aos demais cargos eletivos.

A entidade destaca que mais de 2 milhões de crianças permanecem sem acesso às creches por falta de vagas e trabalha com uma estimativa de déficit de aproximadamente 2,3 milhões de vagas.
Na carta, a Central também chama atenção para os compromissos que vêm sendo apresentados pelos candidatos nos programas eleitorais, entrevistas, sabatinas e debates. Para a instituição, além de colocar a educação entre as prioridades do discurso eleitoral, é necessário apresentar à população respostas objetivas sobre quantas vagas serão criadas, quantas novas unidades serão construídas, quais recursos serão destinados à área e em quanto tempo as propostas serão executadas.

“Queremos que a Educação Infantil esteja efetivamente nos planos de governo e, depois das eleições, nos orçamentos e nas ações dos governos. Não basta dizer durante um debate ou programa eleitoral que a educação é prioridade. Precisamos saber quantas vagas serão criadas, quantas creches serão construídas, de onde virão os recursos e quais serão os prazos. Estamos falando de mais de 2 milhões de crianças que não podem continuar esperando”, afirma o presidente da Central das Creches do Brasil, Clériston Silva.

Compromisso com o Brasil e a Bahia

Um dos pontos centrais da carta é a necessidade de articulação entre União, estados e municípios para ampliar a oferta de Educação Infantil. Na Bahia, a Central defende que os candidatos ao Governo do Estado apresentem propostas específicas para apoiar os municípios na construção, ampliação e manutenção de creches e na abertura de novas vagas.

A convocação também alcança os candidatos ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa da Bahia. A entidade pede compromisso dos futuros parlamentares com a destinação de recursos, elaboração de leis, fiscalização e fortalecimento das políticas públicas voltadas à primeira infância.

“Essa não é uma pauta de partido, de direita ou de esquerda. É uma pauta do Brasil. Nossa bandeira é a criança brasileira. A Central está aberta ao diálogo com todos os candidatos que estejam dispostos a assumir esse compromisso de maneira pública e, principalmente, a transformá-lo em política pública”, ressalta Clériston Silva.

Meta de 13,5 mil novas unidades até 2035

Além de cobrar ações dos futuros governantes, a Central das Creches do Brasil apresenta uma proposta de mobilização nacional para enfrentar o problema. Por meio do Programa Nacional de Combate à Falta de Vagas em Creches Públicas no Brasil (PNCB), a instituição estabeleceu a meta de contribuir para a implantação de 13,5 mil novas unidades de Educação Infantil até 2035, alcançando os 26 estados e o Distrito Federal.
A estratégia prevê a mobilização de governos, municípios, iniciativa privada, investidores e sociedade civil em torno da ampliação da oferta de vagas e do fortalecimento das políticas destinadas à primeira infância.

“A dimensão do déficit exige uma grande mobilização nacional. Nossa meta de 13,5 mil novas unidades mostra que é possível estabelecer objetivos concretos. Queremos que os candidatos também apresentem números, metas e prazos. Quem pretende governar o Brasil ou a Bahia precisa dizer qual será a sua contribuição para que essas crianças tenham acesso à creche”, acrescenta o presidente.

Carta será instrumento de mobilização

A Carta Aberta também estabelece que a Central acompanhará as manifestações, propostas, programas de governo, entrevistas e debates dos candidatos ao longo do processo eleitoral. A intenção é estimular a formalização pública dos compromissos assumidos com a Educação Infantil.
No documento, a entidade resume a mobilização com a afirmação: “Mais do que uma assinatura, queremos um pacto. Um pacto pelas crianças, pelas famílias, pela Educação Infantil e pelo Brasil que queremos construir.”

A Central sustenta ainda que a ampliação das vagas tem reflexos que ultrapassam o ambiente educacional. O acesso à creche contribui para o desenvolvimento integral das crianças e oferece suporte às famílias, especialmente aos pais e responsáveis que precisam trabalhar e dependem de um espaço adequado e seguro para seus filhos.

Sobre a Central das Creches do Brasil

Com atuação desde 2014, a Central das Creches do Brasil desenvolve ações em defesa da primeira infância e da ampliação do acesso à Educação Infantil, articulando gestores públicos, municípios, profissionais, empresários e diferentes setores da sociedade.
Entre as principais bandeiras da instituição estão o enfrentamento ao déficit de vagas em creches públicas, a ampliação dos investimentos na primeira infância e o fortalecimento da Educação Infantil como política estratégica para o desenvolvimento social do país.

Com a carta aberta lançada nesta terça-feira (8), a entidade pretende colocar a primeira infância no centro do debate eleitoral de 2026 e cobrar dos candidatos compromissos que possam ser acompanhados pela sociedade antes e depois das eleições.

“O Brasil que queremos construir amanhã começa com as crianças que precisam de oportunidades hoje. Por isso, a nossa convocação aos candidatos é muito clara: assumam esse compromisso. As crianças não podem esperar”, conclui Clériston Silva.