Redes Renorcrim e Recupera promovem troca de experiências entre estados e debatem asfixia financeira de organizações criminosas
Nesta quarta-feira (13), teve continuidade o primeiro encontro das Redes Nacionais de Unidades Especializadas de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Renorcrim) e de Recuperação de Ativos (Recupera), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Pioneiro na Bahia, o evento reúne, em Salvador, autoridades e especialistas de todo o país para discutir estratégias de combate ao crime organizado e recuperação de ativos, transformando patrimônios apreendidos em recursos públicos.
A programação tem como foco fortalecer o enfrentamento às organizações criminosas por meio da asfixia financeira e do aprimoramento técnico das investigações, com a destinação desses recursos revertida para investimentos na estrutura da Polícia Civil. Neste segundo dia, as discussões foram divididas em dois espaços: um dedicado ao debate de temas relacionados à Renorcrim, centrado nos desafios de enfrentamento ao crime organizado no sistema penitenciário e na cooperação jurídica e policial internacional. Participaram titulares de delegacias vinculadas aos Departamentos de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DRACO) e representantes do Poder Judiciário.
Ao destacar a importância da atuação integrada entre os estados e o Governo Federal no enfrentamento às organizações criminosas, o coordenador-geral de Combate ao Crime Organizado do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Getúlio Monteiro, ressaltou o fortalecimento da cooperação institucional no país. “O Brasil enfrenta o crime organizado de cabeça erguida. O programa federal Brasil Contra o Crime Organizado simboliza essa união de forças. O encontro aqui reforça a integração e o compromisso conjunto no combate ao crime organizado”, afirmou.
Durante o encontro, a delegada-geral adjunta da Polícia Civil da Bahia, Márcia Pereira, destacou a importância da integração entre as forças de segurança e do compartilhamento de experiências para o fortalecimento das ações de enfrentamento ao crime organizado no país. “É muito importante a Bahia sediar essa primeira edição, reunindo as redes Renorcrim e Recupera para discutir avanços na segurança pública. O encontro fortalece o trabalho desenvolvido pela Bahia, com operações qualificadas e resultados expressivos em prisões e apreensões”, destacou a delegada-geral adjunta, Márcia Pereira.
Recuperação de ativos e asfixia financeira
De acordo com o delegado-geral do Ceará e presidente do Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil (CONCPC), Márcio Gutierrez, a recuperação de ativos deve ser vista de forma ampla, indo além da identificação e apreensão de bens. “Não basta apenas identificar, apreender e destinar os bens das organizações criminosas; é preciso dar atenção à gestão desses ativos. A recuperação de ativos deve ser tratada não só como estratégia de combate ao crime organizado, mas também como uma política criminal sustentável e eficaz para enfraquecer financeiramente essas organizações”, afirmou.
Já na programação da Recupera, composta por delegados-gerais de vários estados brasileiros e da Polícia Federal, as palestras giraram em torno das boas práticas na recuperação de ativos, com apresentação de experiências realizadas no país. A formalização de acordos de cooperação para agilizar a recuperação de bens e valores também fez parte da pauta.
A rede conta com a adesão das 27 Polícias Civis e, até o momento, já foram criadas 25 Unidades de Recuperação de Ativos. Para o delegado da Polícia Federal em Minas Gerais, Bruno Zampier, a política de recuperação de ativos representa uma das principais ferramentas no combate às organizações criminosas. “A política de recuperação de ativos veio para ficar e é uma das principais ferramentas do Estado no combate ao crime organizado. Ao congelar patrimônios obtidos com atividades criminosas, é possível dar mais efetividade à persecução penal e transformar bens apreendidos em recursos para fortalecer os fundos públicos”, destacou.
Tecnologias e cooperação institucional
O encontro segue até sexta-feira (15), na Universidade SENAI CIMATEC, na Avenida Orlando Gomes. Além dos debates, o público também acompanha a apresentação de equipamentos e tecnologias que auxiliam o trabalho das forças de segurança.
A iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública é realizada em parceria entre a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), a Polícia Civil da Bahia (PCBA), o Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) e o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA).
Anderson Oliveira / Ascom-PCBA
13.05.2026
