Tema foi discutido no primeiro dia do Encontro Nacional das Redes Renorcrim e Recupera
O combate às organizações criminosas exige não apenas ações policiais, mas também estratégias voltadas à investigação financeira e à recuperação de ativos obtidos por meio de atividades ilícitas. Esse foi um dos pontos centrais discutidos durante o primeiro dia do Encontro Nacional das Redes Renorcrim e Recupera, realizado em Salvador.
Entre os convidados, a desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivana David, compartilhou experiências do estado paulista no enfrentamento às grandes facções criminosas e destacou a importância de atacar financeiramente as estruturas do crime. Segundo ela, enfraquecer as organizações passa necessariamente por impedir a circulação do patrimônio obtido por meio de atividades ilícitas.
“A única forma de fragilizar o crime organizado é tirando o dinheiro dessas organizações. Não é simples seguir o rastro financeiro, porque essas estruturas utilizam mecanismos complexos e tecnologias que dificultam o rastreamento. Ainda assim, é essencial impedir que recursos ilícitos sejam misturados ao sistema econômico formal”, explicou.
A magistrada também ressaltou o papel do Judiciário nas investigações e destacou que o combate ao crime organizado exige a atuação conjunta de diferentes instituições. “Não se combate o crime organizado sozinho. É uma guerra longa e que exige atuação integrada entre polícia, Ministério Público e Poder Judiciário. Eventos como este dão fôlego para continuar essa luta”, afirmou.
Já o delegado da Polícia Civil do Tocantins, Afonso Lyra, destacou a importância da cooperação entre as polícias estaduais e federais no enfrentamento ao tráfico de drogas e armas. “O crime organizado não respeita divisas nem fronteiras. Por isso, encontros como esse aproximam ainda mais as polícias e fortalecem a troca de informações. Estados como Tocantins e Bahia já realizam ações conjuntas para combater rotas de transporte de drogas e armamentos”, afirmou.
O delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, André Viana, também destacou os resultados das ações integradas no combate às lideranças criminosas. Segundo ele, somente neste ano, mais de 60 lideranças de organizações criminosas já foram alcançadas em operações conduzidas pelas forças de segurança, incluindo ações realizadas fora do país.
“Esses resultados são fruto do trabalho integrado entre as forças de segurança, com participação da Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Federal. Em alguns casos, as investigações ultrapassam as divisas estaduais e chegam até outros países, como a Bolívia, onde seis lideranças foram localizadas e presas. Essas ações têm impacto direto na redução de crimes como tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro”, afirmou.
Ao longo dos quatro dias de programação, o encontro reunirá especialistas e autoridades da segurança pública, do sistema de Justiça e de instituições do setor financeiro para debater técnicas avançadas de investigação, inteligência financeira e instrumentos jurídicos voltados à repressão às organizações criminosas e à recuperação de ativos obtidos por meio de atividades ilícitas.
Nicolas Melo / Ascom-PCBA
12.05.2026
