Ex-PM e influenciadores são acusados de aplicar golpes milionários em rifas online

Crime Polícia

Um esquema de rifas e sorteios ilegais que teria movimentado mais de R$ 33 milhões em Maceió (AL) foi revelado neste domingo (5) em reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo.
As investigações apontam o ex-policial militar Kleverton Pinheiro de Oliveira, conhecido como Kel Ferreti, como líder da organização criminosa. Também são investigados os influenciadores digitais Laís Oliveira e Eduardo Veloso, que teriam participado ativamente da divulgação e movimentação financeira do esquema.

Com mais de sete milhões de seguidores somados nas redes sociais, o casal teria recebido valores expressivos. Entre janeiro e abril de 2024, Laís Oliveira teria lucrado quase R$ 1 milhão, enquanto Eduardo Veloso recebeu cerca de R$ 456 mil, segundo o Ministério Público de Alagoas (MP-AL).
Os dois foram presos em dezembro do mesmo ano, em Fortaleza (CE), durante a Operação Trapaça, mas acabaram liberados dias depois. A defesa alega que ambos atuaram apenas como divulgadores publicitários.

Luxo e ilegalidades

Apresentando-se como “empreendedor digital”, Kel Ferreti exibia nas redes sociais uma vida de luxo, com carros importados, viagens internacionais e imóveis de alto padrão.
De acordo com o MP, o estilo de vida era sustentado por atividades ilícitas, como manipulação de resultados em rifas e jogos de azar online.

“O que não é legalizado, por exemplo, ainda continua acontecendo com apostas em bets estrangeiras, que não têm nenhum tipo de controle”, explicou o promotor Cyro Blatter, coordenador do Gaesf.

Histórico criminal

Ferreti não é um nome novo para as autoridades. Em dezembro de 2024, ele foi preso em Maceió com joias, celulares e R$ 20 mil em espécie. O ex-PM havia sido expulso da corporação no ano anterior, após violar a lei eleitoral ao divulgar seu voto nas redes sociais.

Além das acusações de estelionato, ele também responde por crimes sexuais. Foi condenado por estupro em duas instâncias — crime ocorrido em junho de 2023, contra uma das vítimas do próprio esquema. A pena, inicialmente de 10 anos, foi reduzida para 8, e Ferreti cumpre o restante em regime domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Apesar da condenação, ele está autorizado a frequentar bares, restaurantes e praias de Maceió, desde que mantenha distância mínima de 500 metros da vítima.
Em nota, a defesa nega as acusações e afirma que Ferreti não é dono de nenhuma plataforma de apostas, limitando-se à função de divulgador.

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