Alta de mais de R$ 2 em poucos dias reacende críticas à política de preços da Acelen
O preço da gasolina voltou a disparar na Bahia e já chega a R$ 7,30 e R$ 7,50 em alguns postos de Salvador nesta terça-feira (10). Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, o litro era encontrado na capital baiana por cerca de R$ 5,50. Em poucos dias, o aumento ultrapassou R$ 2 (aproximadamente 36%) e ampliou a pressão sobre o bolso da população, reacendendo críticas à política de preços adotada pela Acelen, empresa que controla a Refinaria de Mataripe desde a privatização em 2021.
O impacto no estado tem sido mais intenso porque a refinaria baiana não segue a política de preços da Petrobras. Desde a semana passada, a Acelen vem promovendo reajustes sucessivos no preço dos combustíveis, o que fez o valor nas bombas subir rapidamente. Embora a empresa atribua as mudanças a fatores como custo do petróleo, variação cambial e despesas logísticas, ainda não detalhou de forma objetiva o que provocou os aumentos recentes.
Um novo reajuste foi percebido nesta segunda-feira (9), quando o preço da gasolina saltou de R$ 6,53 para cerca de R$ 7,30 em Salvador e em outras regiões do estado. Para o Sindicombustíveis Bahia, a diferença em relação a outros estados acende um alerta no mercado. “Em outros estados, onde a Petrobras vende combustíveis diretamente, os preços permanecem praticamente estáveis desde o início do ano. Essa diferença tem provocado distorções e reduz a competitividade da Bahia”, afirmou a entidade.
A alta do combustível também tende a gerar efeito em cadeia na economia do estado. Como grande parte do transporte de mercadorias ocorre por rodovias, o aumento da gasolina e do diesel encarece o frete e pressiona o custo de produtos e serviços. O reflexo pode chegar rapidamente ao consumidor baiano, com impacto no preço de alimentos, mercadorias e no funcionamento do comércio.
Mesmo com a tensão internacional envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e o anúncio do bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — especialistas avaliam que os efeitos desse tipo de crise costumam levar mais tempo para chegar às bombas. Por isso, a velocidade do aumento registrado na Bahia levanta questionamentos sobre os critérios utilizados pela Acelen para aplicar os reajustes.
