Prefeito de Cuiabá proíbe uso de pronome neutro em eventos da prefeitura: “Todes não existe”

Política Saúde

O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), determinou a proibição do uso de linguagem neutra em eventos promovidos pela prefeitura. A medida foi anunciada após um episódio ocorrido durante a 15ª Conferência Municipal de Saúde, quando o gestor interrompeu a fala da professora Maria Inês Barbosa, que utilizou o termo “todes” durante sua apresentação.

Segundo a educadora, a interrupção teve um tom autoritário e resultou em sua saída do evento. “Fui desrespeitada por exercer minha liberdade de expressão. A postura do prefeito é de imposição e censura”, afirmou Maria Inês. Militantes presentes também protestaram contra a conduta de Brunini.

O prefeito, no entanto, justificou a medida:

“Todes não existe. Todas as pessoas existem. Todes é uma palavra que não existe na Língua Portuguesa. Qual o dicionário que tem isso escrito?”, declarou.

Brunini afirmou ainda que não permitirá que conferências e espaços públicos pagos com recursos da prefeitura se tornem palco para, segundo ele, “atos de militância ideológica”.

Câmara reage com projeto de lei

A decisão do prefeito teve imediata repercussão na Câmara Municipal. O vereador e policial federal Rafael Ranalli (PL) protocolou um projeto de lei que proíbe o uso de linguagem neutra ou não binária em documentos oficiais e em instituições de ensino da rede municipal.

A proposta segue para análise nas comissões da Casa e pode ser votada ainda este mês. Segundo Ranalli, a medida “preserva a norma culta da língua e evita doutrinação nas escolas”.


📌 Entenda:

  • Linguagem neutra é um recurso linguístico utilizado para evitar o uso de pronomes masculinos ou femininos, buscando incluir pessoas não binárias.
  • Críticos alegam que o uso desrespeita a gramática tradicional e pode confundir alunos na fase de alfabetização.
  • Defensores afirmam que a linguagem neutra promove inclusão e respeito à diversidade de gênero.

🔎 O caso reacende o debate nacional sobre o uso da linguagem neutra em ambientes públicos e educacionais, com opiniões divididas entre liberdade de expressão, inclusão e preservação da norma culta da língua portuguesa.

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