SIMPATIA TÁ QUASE ZERO: Caetano vê Elinaldo crescer cada dia mais e base ameaça debandada em Camaçari

Política

Com um ano e dois meses de gestão, o prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), tem amargado sucessivas derrotas na tentativa de garantir maioria na Câmara de Vereadores de Camaçari. Desde o segundo turno da campanha de 2024, o grupo liderado pelo prefeito tem feito propostas milionárias aos vereadores de oposição, com acenos de “agrados” financeiros, contratos e altos salários na Prefeitura Municipal. No entanto, mesmo com a conhecida lábia do gestor, o apelo econômico não prevaleceu e sim, a credibilidade do agente político.

Mas, aparentemente, o pior ainda está por vir. Com o crescimento da pré-campanha a deputado estadual em Camaçari e no interior da Bahia, somado aos desgastes internos do atual governo, o ex-prefeito Elinaldo Araújo (União) está liderando um contra-ataque que pode abalar a estrutura política do petista no município. Há rumores de que, desde dezembro, Elinaldo tem conversado com vereadores da base para fortalecer e consolidar a oposição. Nesta lista constam nomes como João Dão (PSB), Wagner Bispo (PSB), Dentinho (PT), Dilson Magalhães (PP), Sales Brito (PSD), Luisão (Republicanos) e Ivandel (sem partido).

Conta a favor do ex-prefeito, o fato de que a maioria dos vereadores sondados já fez parte da sua base e usufruiu de um tratamento mais próximo com o governo. O cenário de aparente desgaste da administração municipal, com a falta de acesso a Caetano e secretários travando as ações dos vereadores, pode influenciar na debandada governista. Segundo conversas de bastidores, pelo menos dois desses nomes já estariam com a negociação bem encaminhada para compor a base de oposição.

Antes desses diálogos, os governistas já haviam mostrado sinais claros de desgaste evitando a defesa dos assuntos de governo e demonstrando insatisfação com o líder da bancada, Tagner Cerqueira (PT), que não é bem aceito e demonstra as mesmas práticas atribuídas a Caetano. Como resposta, vereadores governistas e importantes lideranças do PT no município estão declarando apoio a Júnior Muniz (PT), e em alguns casos, aconselhando seus liderados a votar em Elinaldo e seus candidatos, em uma clara oposição ao nome de Tagner para deputado estadual.

A crise interna do governo tem sido comprovada também pela baixa adesão de militantes nas lavagens e eventos públicos, gerando comentários da imprensa especializada e cobranças da militância. Nesse quesito, a promessa é de que a decepção seja maior na Lavagem de Arembepe, com a presença do pré-candidato a governador ACM Neto (União) e ampla mobilização feita por Elinaldo.

Por outro lado, a base da oposição consolidou a unidade e fechou acordo para antecipar a eleição do novo presidente da Câmara. Através desse diálogo, o grupo já conseguiu mudar o Regimento Interno e articular a alteração da Lei Orgânica para seguir o novo rito estabelecido na Casa; tudo isso, sem alarde ou desgaste aparente. Com isso, além de observar a força da oposição na cidade, os governistas mostram, ainda, descontentamento com o tratamento dentro do próprio governo, onde as solicitações dos vereadores da base de Caetano ficam atrás dos pedidos da oposição. “Parece que o governo é pautado pela oposição”, reclamam nas reuniões internas.

As informações dão conta de que esse cenário tem preocupado Caetano e sido pauta de conversas internas, nas quais o atual gestor promete a oxigenação do governo com uma reforma administrativa nos cargos do primeiro escalão. Nos bastidores, há grande preocupação com o crescimento da liderança política de Elinaldo, acompanhada do incômodo com o fortalecimento da oposição no município.