Um trisal gay do Canadá está travando uma batalha judicial para garantir que os três integrantes sejam reconhecidos legalmente como pais da filha adotiva. O trio — formado por Eric LeBlanc, Jonathan Bédard e Justin Maheu — vive em Montreal, na província de Quebec, e formalizou a adoção de uma menina de três anos em outubro, após um processo que durou cerca de dois anos e meio.
Disputa judicial e entraves legais
A ação foi motivada por um impasse jurídico: a legislação de Quebec reconhece apenas dois pais em registros oficiais, o que impede famílias multiparentais de terem todos os nomes na certidão de nascimento. O caso reacendeu o debate sobre o reconhecimento legal de diferentes modelos familiares no país.
As autoridades políticas e judiciais da província divergem sobre o tema. Um juiz da Corte Superior de Quebec considerou o atual sistema “inconstitucional”, por violar a Carta Canadense de Direitos e Liberdades ao discriminar famílias não tradicionais.
Enquanto isso, o governo provincial recorreu da decisão, sob o argumento de que reconhecer múltiplos pais poderia “prejudicar o interesse da criança”.
“Não acho que seja bom para uma criança ter quatro, cinco, seis ou sete pais”, declarou um ministro provincial à imprensa local.
Uma luta por reconhecimento
O trio contou à CTV News que enfrentou preconceitos e barreiras desde o início do processo. A primeira agência de adoção que procuraram recusou o pedido por conta das limitações legais da província. Somente após contratarem um advogado, conseguiram que outra instituição aceitasse acompanhar o caso.
“Durante o processo, eles perceberam que somos diferentes porque somos três, mas também entenderam que não somos diferentes de nenhuma outra família”, afirmou Eric LeBlanc, um dos pais.
Apesar do reconhecimento simbólico, os três seguem lutando para garantir que a menina tenha direitos legais iguais aos de qualquer outra criança, incluindo herança, plano de saúde e proteção jurídica.
Canadá e o reconhecimento de novas estruturas familiares
Embora o Canadá seja considerado um país com leis progressistas, a questão ainda divide opiniões. Em outras províncias, como Ontário e Colúmbia Britânica, já é possível registrar mais de dois pais legais em documentos oficiais.
Em 2024, um juiz determinou que o governo de Quebec teria um ano para atualizar o código civil, permitindo o reconhecimento de famílias multiparentais. No entanto, o prazo terminou sem avanços concretos, o que levou o trisal a levar o caso novamente aos tribunais.
“Estamos tristes por não ter o apoio do nosso próprio governo, que deveria ser aberto e ajudar todas as famílias”, lamentaram.
Um novo modelo de amor e paternidade
O caso do trisal canadense levanta discussões sobre o que significa ser família no século XXI. Enquanto a lei ainda não acompanha as transformações sociais, histórias como a de Eric, Jonathan e Justin reforçam a necessidade de ampliar o conceito de paternidade e maternidade para incluir diferentes formas de amor, cuidado e convivência.
