Advogado é investigado por suspeita de falsificar decisão do STJ para soltar traficante

Polícia

Um advogado criminalista de Salvador está sendo investigado por suspeita de ter falsificado um acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar obter a soltura de um acusado de liderar o tráfico de drogas na capital baiana. A investigação foi aberta após um alerta feito pelo juiz Waldir Viana Ribeiro Júnior, da Vara de Delitos de Organização Criminosa (VOCRIM), que identificou inconsistências no documento apresentado.

O advogado investigado é Antonio Jorge Santos Junior, inscrito na OAB/BA. Ele representa Averaldo Ferreira da Silva Filho, conhecido como “Averaldinho”, apontado como líder do tráfico nos bairros do Calabar e Alto das Pombas. Em sua atuação, o advogado protocolou uma petição anexando um suposto acórdão do STJ, alegando que o tribunal havia concedido habeas corpus favorável ao acusado. Com base nisso, ele solicitava a expedição de alvará de soltura.

No entanto, o juiz desconfiou da autenticidade da decisão e decidiu aguardar a comunicação formal do STJ, o que não ocorreu. A secretaria do juízo então entrou em contato diretamente com o tribunal superior, que confirmou que não existia qualquer habeas corpus em nome do acusado, tampouco o acórdão apresentado. A tentativa de fraude foi, assim, frustrada.

Diante dos indícios de falsificação, o magistrado determinou a abertura de inquérito policial junto à Delegacia dos Crimes Econômicos e Contra a Administração Pública (DECECAP), solicitando a apuração da autoria e materialidade da suposta falsificação. A conduta pode ser enquadrada no artigo 297 do Código Penal, que trata da falsificação de documento público — crime com pena prevista de até seis anos de reclusão.

Versão da defesa

Em manifestação recente, Antonio Jorge Santos Junior alegou não ter conhecimento da falsificação. Segundo sua versão, o documento teria sido entregue a familiares de Averaldo por um antigo advogado do caso, que atuou nos estágios iniciais da defesa. Ele afirma ter recebido a suposta decisão como verdadeira e que, inclusive, solicitou formalmente a verificação de sua autenticidade.

O advogado juntou aos autos e-mails enviados ao gabinete do ministro Og Fernandes, relator indicado no acórdão falso, pedindo confirmação sobre a existência da decisão. Afirmou ainda que o habeas corpus estaria, supostamente, sob segredo de justiça, o que dificultou o acesso à documentação.

Antonio Jorge declarou que a falsificação teria sido praticada pelo advogado anterior, sem seu conhecimento ou envolvimento, e reforçou que em mais de 10 anos de atuação na advocacia criminal nunca havia presenciado uma situação semelhante.

O caso segue em investigação pela polícia civil, que deverá apurar os responsáveis pela tentativa de burlar a Justiça e libertar um dos principais líderes do tráfico da capital baiana.

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