Enrique de Abreu Lewandowski, filho do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, figura como advogado da empresa Terra Nova Trading, apontada em investigações como parte de um esquema bilionário associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A apuração conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Polícia Federal (PF) e Receita Federal revelou conexões entre a facção criminosa, o setor de combustíveis e instituições financeiras. O caso foi desdobrado na Operação Carbono Oculto.
Relação com a Terra Nova Trading
De acordo com registros judiciais, Enrique aparece como defensor da empresa em processos tributários no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A empresa é citada em investigações desde 2020, quando a PF apontou que teria sido usada para gerar créditos tributários falsos, inflar preços em transações internas e lavar dinheiro do crime organizado.
O MPSP identificou que a Terra Nova Trading era utilizada por Mohamad Hussein Mourad, considerado o “epicentro” das operações. Mourad importava nafta com imposto reduzido (1% em vez dos 25% aplicados em São Paulo), barateando a produção de combustíveis de forma ilegal.
Outro lado
A assessoria de Enrique Lewandowski declarou que ele atua apenas nas áreas cível e tributária, sem envolvimento em causas criminais, e repudiou qualquer tentativa de criminalizar a atividade advocatícia.
Já a Terra Nova Trading negou participação em esquemas ilegais. Em nota, a empresa afirmou que atua desde 1994 no setor de importação e logística, sempre dentro da legalidade, e destacou que não mantém mais relação comercial com a empresa Copape/Aster desde janeiro de 2023.
“Todas as nossas atividades são conduzidas em estrita conformidade com a legislação brasileira. A Terra Nova nunca recebeu auto de infração e reafirma que não possui vínculos com organizações criminosas”, diz o comunicado da companhia.
Contexto
A Operação Carbono Oculto expôs um esquema de fraudes bilionárias que atingiu o “andar de cima” do sistema econômico, segundo autoridades. A investigação segue em andamento, envolvendo empresários, empresas de fachada e possíveis conexões políticas.
