Caixa amplia financiamento de imóveis e passa a cobrir até 80% do valor

Economia

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta sexta-feira (10/10) a retomada do financiamento de até 80% do valor total de imóveis residenciais, por meio do Sistema de Amortização Constante (SAC). Esse formato faz com que as primeiras parcelas sejam mais altas e diminuam gradualmente, à medida que os juros são reduzidos ao longo do tempo.

A cerimônia de lançamento ocorreu em São Paulo e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Jader Filho (Cidades), do vice-presidente Geraldo Alckmin, e dos presidentes da Caixa, Carlos Vieira, e do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Até então, o limite máximo de financiamento praticado pela Caixa era de 70% do valor do imóvel — percentual definido em novembro de 2024, quando o banco alegava estar operando próximo de sua capacidade de crédito.

Segundo o presidente da instituição, Carlos Vieira, a ampliação só foi possível devido às recentes mudanças nas regras de uso do FGTS e dos recursos da poupança. Já o ministro Jader Filho destacou que a medida deve viabilizar o financiamento de aproximadamente 80 mil novas unidades habitacionais até o fim de 2026, movimentando cerca de R$ 20 bilhões na economia brasileira.


Novas regras para o crédito imobiliário

O governo também anunciou a modernização do modelo de captação de recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que sustenta o crédito habitacional no país. A expectativa é que a mudança aumente a oferta de recursos para o Sistema Financeiro da Habitação (SFH), beneficiando especialmente a classe média e impulsionando o setor da construção civil.

Entre as novidades está a elevação do teto do valor do imóvel financiado pelo SFH, que passa de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. Além disso, o novo formato cria uma transição gradual que deve culminar, em janeiro de 2027, na completa substituição das regras atuais de direcionamento dos recursos da poupança.


Como funcionará a transição

Atualmente, os bancos são obrigados a aplicar 65% dos depósitos da poupança em crédito imobiliário, manter 20% como depósito compulsório no Banco Central (BC) e podem usar livremente 15%.

Com o novo modelo, essa estrutura será modificada:

  • O uso da poupança como fonte de financiamento será maximizado, ampliando a disponibilidade de crédito;
  • Os depósitos compulsórios cairão para 15%, e 5% serão direcionados ao novo regime;
  • O direcionamento obrigatório de 65% será gradualmente extinto.

Segundo o Palácio do Planalto, o objetivo é tornar o sistema mais dinâmico e sustentável, permitindo que os recursos captados pela poupança se convertam de forma mais eficiente em crédito habitacional, tanto pelo SFH quanto pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI).


Impacto esperado

Com a ampliação do crédito e o novo modelo de financiamento, o governo espera estimular o mercado imobiliário, gerar empregos e fortalecer a cadeia da construção civil. A Caixa, responsável por quase 70% dos financiamentos imobiliários do país, deve desempenhar papel central nesse movimento de expansão do crédito habitacional.

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